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Tradução do texto de Jung, em jônico, na pedra de Bollingen

Publicado em Poemas - Traduções
Niterói, 1989


O tempo é uma criança brincando de jogar dados,
é o reino da criança.
É Telésforo, é o que realiza a sua meta final
lançando-se através das regiões sombrias
do cosmo
e, brilhando como uma estrela,
emerge das profundezas
mostrando o caminho que leva até as portas do Sol
e ao país dos sonhos.

Viver hoje, Póstumo, já é tarde

Publicado em Poemas - Traduções
Rio de Janeiro, 1989
(Marco Valerio Marcial, Epigramas, Sec. I / Tradução do latim)


Amanhã hás de viver...
dizes sempre amanhã, Póstumo.
Dize-me, Póstumo, este amanhã quando vem?
Quão longe este amanhã!
Onde está? onde deve ser procurado?
Esconde-se, porventura
junto aos partos e armênios?
Este amanhã já tem a idade de Príamo
ou Nestor.
Este amanhã, dize-me
por que preço poderia ser comprado?
Viverás amanhã?
Viver hoje, Póstumo, já é tarde.
Aquele que sabe, Póstumo, seja quem for,
viveu ontem.


Cras te victurum, cras dicis, Postume, semper.
Dic mihi, cras istud, Postume, quando venit?
Quam longe cras istud! Ubi est? aut unde petendum?
Numquid apud Parthos Armeniosque latet?
Jam cras istud habet Priami vel Nestoris annos.
Cras istud quanti, dic mihi, possit emi?
Cras vives? Hodie jam vivere, Postume, serum est.
Ille sapit, quisquis, Postume, vixit heri.