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En ardiente se vuelve mi corazón

Publicado em Poemas
Niterói, 1992


En ardiente se vuelve la luna, fría en el alto cielo,
cuando la miro así, forzado por mi corazón.
Y de mi lo que quiere él no lo sé.
Sea él tal vez un animal herido
que no se detiene en su dolor
así tan cerca
de esa muy tranquila mujer de plata
y se apresta a salir de si mismo
en la búsqueda
de espacio más amplio onde cubiera su sofrimiento y más una canción.

O amor é coisa maluca

Publicado em Poemas
Paranaguá, 1991


O amor é coisa maluca,
enigma que nos escapa:
faz bem, mas tanto machuca
se vem ou quando se acaba.

Das contradições não nasce o novo

Publicado em Poemas
Niterói, 1991


Das contradições nasce o novo?
Eh! as contradições de novo!
As contradições são velhas
delas não nasce o novo...

Uma mulher e seus quatro elementos

Publicado em Poemas
Rio de Janeiro, 1991


Vejo onde tens o ar,
de fato é quando estás séria
e olhas aérea para o alto

A velha filosófica sacode o seu netinho

Publicado em Poemas
Niterói, 1990


De vez em quando ela aparece por aí.
Ontem ela estava sacudindo o seu netinho num açougue.
Estava um pouco braba, indignada mesmo, a velha filosófica.

Poema para uma pássara

Publicado em Poemas
Niterói, 1990


Pássara! Pássara! Não fujas!
Tantas buscas ainda temos das coisas claras!
Respira fundo, fecha os olhos um pouco,
esquece a tua cara
e lança-te da varanda, irmã, irmã, em profundo vôo.

Poema só o título

Publicado em Poemas
Resende, 1988

Em Paraty é um velho porto

Publicado em Poemas
Paraty, 1983


Ouço dos viajantes que eles querem um pouso
assim de madeira e pedra, cheio de plantas e brisa,
aconchego de alguma terra amiga
à beira-mar e barcos.
Sossego onde tirar sapatos e a camisa,
conforto de pisar um chão que seja porto,
onde um coração de navegante
atravesse portas e arcos.
Calma que abriga o corpo de quanta briga
e tanta igreja antiga onde esteja a alma.

Suponho que um filho fantástico

Publicado em Poemas
Calaboca, 1983


É porque um deus cheio de abismos se aproximou de ti
que estás ávida de poemas, grávida de sonhos.
Não temas.
Suponho que um filho fantástico virá,
talvez depois de muitos e muitos anos
e nos revelará aos dois o que fizemos de tão juntos
que já não somos mais estranhos.


Onde o corpo não se fira, não há

Publicado em Poemas
São Tomé das Letras, 1983


O corpo se agarra ao corpo,
prefere sempre a si mesmo
ou rala em pedras, abismos
e escapa ao próprio contorno.

Descoberta a respeito de mim mesmo

Publicado em Poemas
Tres Corações, 1983


Vim do sonho
e nada sei dessa vinda,
só me suponho
e que não cheguei ainda


Visão da Grande Roda

Publicado em Poemas
Baependi, 1983


Ciencia? sonho? ou loucura? não sei... a roda era grande!
metade clara e brilhante, a outra metade era escura.

Girava a roda e fazia, redonda como o horizonte,
dos dias poentes e noites, das noites nascentes e dias.

Depois lembrei-me dos gregos quando toquei em teu púbis:
meio céu é de azul e núvens, meio de estrelas e negro.


Telas de computador são belíssimas, tão janelas

Publicado em Poemas
Juiz de Fora, 1983


Apenas premedite, não medite
e calque o botão, que o cálculo nem é questão
que se admite.
Há infinitos que a ciencia não permite
tanto inteiros e tão azuis.
O próprio espaço-tempo é dinheiro
e é preciso não pensar à velocidade da luz.

Uma mulher silenciosa

Publicado em Poemas
Niterói, 1983


Silenciosa, sim, essa moça, mas não como gueixa, não como santa.
Tanto é o calor, a emoção é tanta, que em seu vapor
destrói num turbilhão tremendo
as palavras ainda nascendo nas travas da garganta.

Uma mulher me acha o máximo

Publicado em Poemas
Niterói, 1983


Que rio é voce, inteira e alegre
a desaguar em mim como se eu fosse o oceano?
Sou apenas outro rio, assim também insano.

Que chuva é voce, solta no ar de repente
a desabar sobre mim como se eu fosse um chão?
Sou apenas outra chuva, assim também em extinção.

Passam-se os anos, resta-nos a arte

Publicado em Poemas
Niterói, 1983


Passam-se os anos como a água de um poderoso rio passa e não agarramos,
silencioso o tempo corre escorre entre os nossos dedos
se escapa dos nossos planos.
Resta-nos a arte.
Consumir desde já a coisa futura,
faze-la existir em mármore numa escultura,
talvez em tinta, em gesto, literatura, ou misturar idéias
idades, séculos
e nessa mistura fazer-se eterno, ampliar os anos, ganhar altura.


Inútil apelo a uma mulher

Publicado em Poemas
Pendotiba, 1982


Destrói não o ligeiro teatro, a faísca de arte
e permita alguma surpresa.
Deixa que se farte um homem em tua isca
sem consentir tua mão que se feche um gato sobre a presa.


Os cabelos e unhas de uma mulher

Publicado em Poemas
Búzios, 1982


Unhas de gata surgem suaves do teu pelo
e fazem nas mãos um fascínio
mas dentro da carne essas unhas avançam.

Teias de aranha e seus fios de prata
fazem teu cabelo belíssimo
mas dentro dele essas aranhas caçam.


Há tempo e morte, não há tempo

Publicado em Poemas
Niterói, 1982


Compromissos de amor, conhecimento e carinho.
Desejos de encontro, reencontro e relações de amor.
Seja benvindo!
Desejo comunicar esperança sem fim de proteção.

Mas há tempo e morte, não há tempo.
Nossa casa é a História.


Eu e meu corpo somos assim: ele concreto e pouco

Publicado em Poemas
Barra do Itabapoana, 1982


Eu e meu corpo somos assim: ele concreto e pouco
eu de puro e longo desejo.
Nele eu só vejo perto, sem ele
habito como um louco toda coisa que está distante
e não me protejo.